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“Eu queria aprofundar o que não sei,
Como fazem os cientistas,
Mas só na área de encantamentos.
Queria que um ferrolho fechasse o meu silêncio
Para eu sentir melhor as coisas increadas
Queria ouvir as conchas
Quando elas se desprendem da existência
Queria descobrir por que os pássaros
Escolhem a amplidão para viver,
Enquanto os homens escolhem
Ficar encerrados em suas paredes?
Sou leso em tratagem com máquinas;
Mas inventei, para meu gasto,
Um Aferidor de Encantamentos.
Queria medir o encantamento
Que existe nas coisas sem importância
Eu descobri que o sol, o mar, as árvores
São mais enriquecidos pelos pássaros
Do que pelos homens
Eu descobri com o meu Aferidor de Encantamentos,
Que as violetas e as rosas e as acácias,
São mais filiadas dos pássaros
Do que os cientistas
Porque eu entendo, desde a minha pobre percepção
Que o vencedor no fim das contas
É aquele que atinge
O inútil dos pássaros e dos lírios do campo”

Manoel de Barros

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